Supremo Condena quadrilha Petista mensaleira por 6 x 4

Supremo Condena quadrilha Petista mensaleira por 6 x 4
Estamos atualizando nosso cadastro de políticos que possuem sua fichinha mais suja que pau de galinheiro. Também disponibilizaremos a lista de quem falta mais às sessões e comissões, uso de verbas indenizatórias, doações e patrimônio dos políticos. Aguardem.

sábado, 4 de julho de 2009

AQUI QUEM MANDA SOU EU (LULA)

Leiam o texto abaixo da revista VEJA, e tirem suas conclusões, se vocês souberem ler, é claro!

Otávio Cabral

Há cinco meses, o senador José Sarney, o atual presidente, vaga por um labirinto de acusações que a cada dia apequenam sua biografia. Acuado, ele chegou a pensar na semana passada em comunicar a renúncia - hipótese que ainda não está descartada. Seria o quarto presidente a deixar o cargo em oito anos.

O problema é que tal sociedade de interesses políticos é mantida à custa da indicação de milhares de pessoas para ocupar cargos na administração federal e da distribuição nem sempre republicana de bilhões de reais em verbas do Orçamento da União. Traduzindo: usa-se dinheiro público, o nosso dinheiro, literalmente como moeda de estabilidade. É nesse ambiente que florescem o clientelismo, o fisiologismo, o nepotismo e a corrupção - as antigas más práticas que estão na raiz da recente crise do Congresso.

O presidente Sarney tenta convencer seus colegas de que a avalanche de denúncias de irregularidades é um problema institucional que passa ao largo de sua responsabilidade. Não é. Nas últimas duas décadas, Sarney presidiu o Congresso três vezes e participou decisivamente da eleição de seus sucessores - todos, à exceção de ACM, ex-ministro das Comunicações do governo Sarney, peemedebistas próximos a ele. A máquina administrativa do Senado, que tem incríveis 10 000 funcionários e é pontuada de casos escabrosos de irregularidades, também era conduzida por um servidor indicado por Sarney, o ex-diretor-geral Agaciel Maia. Em sua gestão, descobriu-se que um neto do presidente da Casa intermediava empréstimos consignados no Senado, que outro neto era funcionário-fantasma, que um parente morava na Espanha e recebia salário do Senado, que o mordomo da casa da filha recebia 12 000 reais como funcionário do Senado, que outros sete parentes do senador também faziam parte da folha de pagamento da Casa. O próprio Sarney recebeu durante quatro meses auxílio-moradia de 3 800 reais, embora tivesse residência própria em Brasília. Residência que, aliás, não constava na declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral do Amapá, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo na última sexta-feira. Sarney também emprestou de maneira irregular um apartamento funcional para um ex-senador e outro para a viúva de um de seus motoristas.

São pecados relativamente pequenos diante dos imensos absurdos cometidos em Brasília, mas suficientes para fragilizar a liderança política do senador. Na semana passada, três partidos pediram o afastamento de Sarney da presidência, entre eles o DEM, um velho parceiro do consórcio. Envolto numa incomum aura de moralidade, até o PT se mostrou indignado. Acuado, Sarney comentou que renunciaria e, diante da falta de solidariedade dos petistas, fez chegar ao governo quais seriam as prováveis consequências de sua saída do cargo: a imediata instalação da CPI da Petrobras, um fantasma do qual o Planalto quer distância, e o fim do compromisso prévio de o PMDB apoiar a candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência em 2010, o que poderia significar um desastre eleitoral para o PT. Além disso, o senador tucano Marconi Perillo, o primeiro vice-presidente, assumiria interinamente o cargo. Como o oposicionista teria trinta dias para promover novas eleições, ele, nesse período, poderia provocar uma guerrilha no Senado, deixando o governo ainda mais refém da turma que gosta de cargos e verbas. No momento, por incrível que pareça, o PMDB, o maior partido do Congresso, não tem um candidato natural à presidência da Casa. Lula e o governo querem estender a ajuda a Sarney até encontrar um nome confiável para substituí-lo. A maioria dos outros dezoito senadores do partido não tem condições éticas ou políticas de ocupar o cargo. Os poucos sem problemas éticos são vetados pela cúpula justamente por isso, como Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon.

Nasser Nasser/AP
ELE MANDA E O PT OBEDECE
Da Líbia, onde fez rapapés ao ditador Kadafi, Lula enquadrou o PT - e Mercadante, como sempre, cedeu a sua combatividade

A estratégia da ameaça de Sarney produziu efeitos imediatos. Da Líbia, onde estava em visita oficial, o presidente Lula ligou para seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e mandou que acalmasse pessoalmente o senador. Depois, telefonou para Dilma e para o presidente do PT, Ricardo Berzoini. Pediu à ministra que fosse até Sarney e o convencesse a não tomar nenhuma atitude antes de sua volta do exterior. A Berzoini, ele ordenou que enquadrasse a bancada do PT no apoio ao presidente do Senado. Dilma telefonou a Sarney logo em seguida e marcou um encontro pessoal, que aconteceu na casa dele no início da tarde de quarta-feira. Ela lhe garantiu que o presidente e o governo estavam a seu lado e que uma eventual renúncia serviria apenas à oposição. Dilma ainda deu a garantia de que o PT deixaria de fazer carga pelo seu afastamento da presidência. Saiu de lá com o compromisso de Sarney de que não daria nenhum passo político antes de conversar com Lula.

Em mais uma impressionante demonstração de que controla o partido com mão de ferro, o presidente da República desautorizou o senador Aloizio Mercadante, líder do PT que adotara um discurso anti-Sarney. Passou a coordenação dos movimentos petistas no Senado a Ideli Salvatti, a cumpridora de missões do Planalto. A falta de conexão do governo e do PT com a sociedade quando o assunto é ética ficaria mais evidente após a chegada de Lula ao Brasil. Ele, que já dissera que Sarney não era uma pessoa comum e, por isso, merecia ser tratado de uma maneira diferenciada, ligou para o senador e afirmou que não lhe faltaria apoio político para ficar no cargo. Quanto à bancada petista que queria o afastamento imediato do presidente do Senado... Na noite de quarta-feira, dez senadores do partido foram à casa de Sarney lhe prestar solidariedade. Só dois senadores não compareceram: Marina Silva e Tião Viana. Na quinta-feira, em um discurso de mais de duas horas, Mercadante mostrou a face do novo PT, de joelhos para Lula e de costas para a sociedade. "Minha combatividade está a serviço do governo Lula", disse ele, para justificar sua súbita mudança de posição. O estilo de Mercadante, reconheça-se, é inconfundível. Mesmo que venha a se afastar da presidência do Senado nas próximas horas, o que permanece bastante provável, Sarney poderá mostrar gratidão aos petistas e continuar trabalhando pela aliança com vistas à sucessão presidencial. É isso que interessa a Lula.

Leia a matéria completa

Nenhum comentário:

SIGAM O ELEGENDO