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sábado, 25 de setembro de 2010

DIRETO DO BLOG DO LUIS NASSIF

Grande mídia não emplacou "Setembro Negro"

Por Weden


O processo de escandalização do Setembro Negro de 2010 não encontrou nenhuma relevância nas mídias locais. Mas o que impressiona mesmo foi o pouco impacto nas mídias regionais, mesmo sabendo que as agências Globo, Estadão e Folha, são fornecedoras importantes de pautas, matérias e pontos de vista. E que o Jornal Nacional deu sua mãozinha.


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O Brasil tem como que três escalões de mídia massiva. O primeiro consegue, por serem produtos de grandes organizações, produzir impacto em nível nacional. O que acontece graças à reverberação que encontra em outros meios, regionais e locais, ou, no caso de três ou quatro emissoras de TV, por chegarem com força, via repetidoras, aos lares da maior parte do país.

O segundo escalão é composto pelos jornais e as rádios em cadeia, que conseguem produzir impacto de alcance estadual ou pouco mais. Juntam-se a estes as emissoras de TV de âmbito nacional com menor audiência.

O terceiro escalão é composto por TVs com programação independente dos grandes grupos, jornais e revistas "de município" e a maioria das rádios, que produzem impacto local.

No Rio, por exemplo, nós temos O Globo, com alcance nacional, por meio de reverberação de suas notícias em outras mídias nacionais, regionais e locais, e o apoio sempre significativo da emissora de TV do grupo.

O Dia é um jornal do segundo escalão, visto que seu poder de impacto é razoável dentro do Estado. A Rádio Tupi também seria um exemplo importante do segundo escalão de mídia.

Jà o jornal O Fluminense, um dos mais tradicionais, e que circula em Niterói e região, é o nosso melhor exemplo de mídia com impacto local.



O "Setembro Negro"

Isto posto, vamos ao que interessa mais diretamente: em 2005, na "crise do mensalão", o grau de reverberação do primeiro escalão se mostrou bastante significativo, mas de alguma forma, os efeitos foram menos duradouros que o esperado. Se por volta de maio e junho daquele ano, "toda a mídia" falava dos escândalos, no final do ano, jornais locais e imprensa regional já mostravam um certo distanciamento do tema.

O "Setembro Negro" promovido pela grande imprensa voltou a impactar os segundos e terceiros escalões, provocando o desgaste de Lula a ponto de as eleições serem levadas ao segundo turno (observando que, no entanto, o contexto político, como a aprovação do governo, e o econômico, com crescimento mediano, eram muito diverso).

De 2006 para cá, parece que muita coisa mudou. O grau de reverberação da grande mídia, se não fosse o Jornal Nacional, está definitivamente comprometido. Não se sabe ainda se pelo contexto socioeconômico, ou por mudanças na relação de forças entre os meios. Mas há indícios fortes de que se trata de uma conjugação das duas hipóteses.

O processo de escandalização do "Setembro Negro" de 2010 não encontrou nenhuma relevância nas mídias locais. Mas o que impressiona mesmo foi o pouco impacto nas mídias regionais, mesmo sabendo que as agências Globo, Estadão e Folha, são fornecedoras importantes de pautas, matérias e pontos de vista. E que o Jornal Nacional deu sua mãozinha.

Olhando as capas do Zero Hora, do Diário Catarinense (que pertencem ao mesmo grupo RBS), do Estado de Minas e do Correio Braziliense, por exemplo, percebemos espantados que não houve "Setembro Negro".

Mas evidentemente o poder desta imprensa nacional ainda é superlativizada pela Rede Globo e seu principal telejornal: os efeitos pretendidos por Vejas, Folhas, Globos e Estadões, só são em parte conseguidos, se houver repercussão na bancada de William Bonner.

Mesmo assim, vemos que a "erosão" da intenção dos votos da Dilma é insignificante: pelo Ibope, em quase um mês de "Setembro Negro", Dilma oscilou negativamente um ponto apenas.

De alguma forma, Serra conseguiu conquistar votos entre os indecisos, e aí talvez se vislumbre o poder da grande mídia: quem está indeciso é mais suscetível de ser influenciado.

Autocrítica

A última pesquisa do Ibope mostra isso de maneira clara: a maioria não tem opinião formada sobre o "escândalo da Casa Civil", e mais de 25% simplesmente acham que "há um fundo de verdade" nos escândalos, mostrando cautela em concordar plenamente com o notíciário, e outros 6% simplesmente acham que as denúncias são falsas. Isso significa que o efeito de "evidência" da grande mídia se deu apenas sobre 22%, possivelmente os já convencidos.

Isso tudo sem contar a força da web e seu debate livre e crítico.

Ou seja, os principais blogs de crítica de mídia erram em dar tanta importância para Veja, Globo, Estadão e Folha, sem considerar pelo menos os que as pessoas lêem fora do eixo Rio-São Paulo, e, para piorar, erra até mesmo em desconhecer os outros veículos do próprio eixo.

O que representa um ironia: somos os mais críticos a estes veículos, mas damos a importância que eles gostariam de ter e que a população pelo jeito discorda. O que pode significar que não só a grande mídia está em descompasso com a realidade, mas de certa forma nós também.

Que tal uma visão mais plural de nossa mídia? Afinal, ignorar esta nova tessitura do contexto midático parece apenas reforçar, sem apoio na realidade, o narcisismo dos grandes meios.

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